Mulheres administradoras

Neste período em que fiquei em casa sem trabalho, meu marido e eu resolvemos reformar os banheiros de nossa casa do nosso apartamento em Guarapari - ES.


Então, no inicio fiquei relutante porque nunca havia administrado uma obra, mesmo que fosse somente uma reforma.


Achei um responsabilidade muito grande uma vez que estaria a frente de um desafio sem a direção e presença do meu marido do lado me orientando, e me dizendo o que era pra fazer.


Então meu marido disse ao pedreiro que era pra fazer o que eu mandasse, e me orientasse nas compras dos materiais e no que precisasse.


E assim começamos a obra e no inicio foi bem turbulento.


Com a autorização do engenheiro iniciamos o meu primeiro desafio: a compra do material.


Fomos juntos à loja de material de construção, e até o pedreiro ficou surpreso, pois este foi para comprar somente o cimento, a parte bruta do que ele realizaria no inicio, e somente no fim, acredito eu, é que ele pensaria em comprar os acabamentos, as peças finais para a composição do banheiro.


Mas, com a insistência da vendedora, foi dizendo: vocês precisarao disso e daquilo, e assim foi pegando as peças e incluindo na nossa compra...


Eu não sei vocês caros leitores, mas eu tenho uma certa dificuldade em analisar uma compra e às vezes demoro a resolver, quando nao conheço a área em que estou em atividade como foi o caso dessa compra dos materiais, pois nunca havia mexido com isso. Não me lembro de ter feito alguma obra em minha casa, sozinha.


Quando trabalhei como Secretária de Educação, cheguei a fazer diversas reformas em escolas, mas nada era tão particular e profundo a obra, sem contar que a responsabilidade seria que se houvesse algum erro, estaria em um prédio e que acarretaria problemas aos outros condôminos. Entao teria que agir com muita cautela além da questão do barulho de obra e administrar como conduziríamos em um determinado horário e tempo previsto.


E assim comecei.


Após a primeira compra que foi um valor bem expressivo, fizemos o primeiro banheiro. Pedi pra começar com o banheiro social, pois se ali fosse feito algo que nao gostasse, corrigiria no meu que era o da suite.


Houveram alguns problemas que eu tinha que ir à loja resolver sozinha, pois o pedreiro não poderia ir em meu lugar.


Primeiro momento: a compra. A regra numero 1 entrou em ação:


Os atendentes vão te atender com toda pressa e energia para que você leve tudo o que precisa e o que não precisa também


Fizeram de tudo para me mostrar e dizer que precisava disso, daquilo, e eu no meio disso meio tonta e perguntando ao Cremilson, nome do meu pedreiro,


- "isso precisa mesmo Cremilson?


E às vezes ele dizia:


- "agora não, mas mais pra frente sim..."


Foram momentos de trocas de produtos, e daí entrou a regra numero 2


Os lojistas detestam fazer trocas.


Assim que cheguei na mesma loja que dias anteriores me trataram como rainha, ao saber na minha chegada que seria troca, a mesma atendente que havia me feito a venda, passou perto de outro atendente que já estava vindo em minha direção, e falou baixo: - “Não faça nenhuma troca para ela”, se referindo a mim.


Gente, quem me conhece sabe como eu “funciono” rsrsrs. Enquanto estamos conversando normalmente, eu ajo normal, tento resolver as dificuldades com um certo bom humor, mas pelo amor de Jeovah, não me tratem como uma qualquer, que meu lado defensor dos direitos das mulheres (e homens, ”pobres, cansados e oprimidos” também) entra em ação!


O vendedor me tratou com muito carinho, disse que tudo seria resolvido, e após uma meia hora em conferência com uma pessoa que acho ser o gerente, pois não conseguia ver numa sala com vidros escuros e fechada, voltou e disse ser impossivel fazer a troca...


Aí então entrou em ação a estratégia que vem com o sangue começando a borbulhar e só peguei meu celular que estava com a imagem da nota fiscal da ultima compra com aquele valor bem elevado e mostrei para o vendedor ja “ordenando“ a ele dizendo:


—“ Talvez seu superior possa verificar aqui a ultima compra feita nessa loja e leve em consideração esse valor bem elevado que gastei aqui e reconsidere isso o que ele falou.”


Mas não demorou 3 minutos e o gerente autorizou mas com uma condição: que o valor do novo produto fosse vendido com o preço diferente pois a primeira peça que havia comprado estava em ponta de estoque, e não tinham no momento aquele produto que eu queria substituir pelo mesmo preço. Perguntei então ao vendedor, qual seria a diferença, ao que ele me respondeu ser de um valor suposto de 10 centavos por peça ao que no final seria mais ou menos uns 20 reais.


É claro que concordei e assim levei o produto desejado para casa.


Isso aconteceu umas 3 vezes, porém nas duas ultimas foram por conta do produto ter apresentado com defeito.


Um dado que quero enfatizar aqui é que, quando retornei, sempre estava sozinha. Quando fui na terceira vez eu fiquei muito irritada e pedi até perdão a Deus dizendo estar cansada de tanto lutar contra a sociedade que ainda considera uma mulher sem a presença masculina uma forma de desrespeito, e até mesmo a questao visual.


Realmente no primeiro dia, ainda estava, digamos, "bem arrumada" e nos dias seguintes como estava em obra da forma como estava em casa, camisa de malha e bermuda de lycra, e quando somos nós mulheres a comprar ou trocar, há o desdém e o atendimento pobre por parte dos vendedores e da loja.


Quero destacar aqui um momento em que havia pedido um Uber para levar uma peça chamada Alisar para trocar pois estava com defeito, e o motorista do Uber chegou e ja vi com sua feição, o desejo de não me levar ao que o tratei bem, normal, e disse que estava bem, nao havia nenhum problema e que ele poderia cancelar o meu pedido, porém ele começou a alterar e me disse que eu teria que pagar a corrida sem ter feito, ai foi mais um dia que começou difícil, mas não me entreguei, disse que ele poderia cancelar, mas que não pagaria pela corrida, já que não havia feito. Nem cheguei a entrar, estava na calçada e ali fiquei e ele havia parado uns metros à minha frente, e logo em seguida ele saiu e eu vi pelo aplicativo que ele cancelou mas cobrou a corrida...


Subi correndo no apartamento, ja com meus sinais de aborrecimento, conversando comigo mesma, e dizendo ao porteiro nosso conhecido, me lamentando de como há pessoas más no mundo, e que destratam e desrespeitam a nós, mulheres.


Cheguei ao meu apartamento e eu mesma faria o que pedi à minha filha pra fazer que era cancelar a cobrança irregular e injusta ao aplicativo do Uber, se não fosse minha irritação excessiva que me impedia de raciocinar.


Com a cobrança cancelada, então pedi um novo Uber e já relatando ao motorista que se ele aceitaria levar essa peça de madeira em seu carro poderia vir, e que se tivesse alguma objeção, que eu compreenderia. Esse motorista me atendeu com muita educação e permitiu que levasse em seu carro que não lembro a marca, mas sei que era pequeno.


Assim cheguei na loja me preparando para mais uma luta, mas para minha surpresa, embora havia pedido que Deus me guiasse e me surpreendesse com um bom atendimento, talvez nao tinha uma fé tao grande dessa vez, e foi o que aconteceu. O vendedor veio com 10 minutos trocou a peça e me entregou pedindo mil desculpas e voltei pra casa sem mais problemas.


Voltei agradecendo a Deus por me dar calma, e me fazer compreender como às vezes somos injustiçados, e que ao passarmos por isso, é uma forma de lutar para que este tipo de comportamento seja banido de nossa sociedade.


O que aprendo com isso:


Autoridade se conquista.


E para nós mulheres é uma tarefa árdua, pois estamos lutando contra uma sociedade que ainda se apresenta machista. Quero abrir um parêntese aqui dizendo que não sou feminista, mas que luto pelo mal atendimento, pelas injustiças nessa sociedade.


Eu acredito na obra de Deus que fez o homem com sua autoridade sobre todas as coisas (Genesis 1:20) e tambem o homem ser o cabeça da mulher, como no versículo abaixo:

“Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo.” ‭‭1Coríntios‬ ‭11:3‬ ‭ARA‬‬

Por isso, creio que marido e esposa devem se respeitar mutuamente, lembrando que são comparados à Cristo e sua Igreja.


Em nossa sociedade ainda há pessoas que não respeitam o outro como uma autoridade, principalmente no Brasil. E isso que vivenciei, é só um exemplo em milhares de cidades espalhadas pelo Brasil.


O consumidor deveria ser tratado e considerado como uma autoridade, pois se não fosse ele, não precisaria existir comércios e nem funcionários.


O destrato conosco mulheres é muito mais acirrado quando não estamos visualmente apresentáveis.... o que não precisaria existir pois o que manda nesse caso seria o valor monetário gasto naquele estabelecimento e não o que você veste.


Daí entrei com essa palavra que havia lido na Biblia, e me fez compreender que as autoridades sao estabelecidas por Deus, então, tomei posse dela e comecei a usá-la nessas lutas constantes e sei que ainda precisarei usá-la, pois ela só nos é dada se a conquistarmos, tomando posse dela.

“Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados às minhas ordens, e digo a este: vai, e ele vai; e a outro: vem, e ele vem; e ao meu servo: faze isto, e ele o faz.” Lucas‬ ‭7:8‬ ‭ARA‬‬

Disse a Deus: eu quero ter essa autoridade e ser usada para que sejam quebradas essas barreiras que acabei experimentando pessoalmente.



Bom dia!


Marilza Loubach






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Marilza Loubach

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